descrição de método (provisório)

Propõe-se aqui usar este espaço comum da seguinte maneira. Paginas individuais de cada um podem ser usadas para cada uma das narrativas individuais. A pagina inicial que vai ser uma sequencia de posts pode relatar como se unem cenas; propostas de edição de filme de umas narrativas com outras (incluindo inserção de links ou não aos ditos textos) (encoraja-se interrupções fodidas); o documento de texto partilhado por mail na Google Drive intitulado "Para Cita" pode ser usado como o espaço de condensação final do projecto. Esse texto pode ser imprimido e será o dito guião. Espero que não concordem, ou que concordem.

PS: A vantagem que eu vejo do regime de posts na pagina inicial é o seu cariz desconexo, e por consequência libertador, em relação ao regime linear de uma só página em narrativa linear, que tem vantagens de claridade para cada uma das narrativas individuais, podendo-se linkar posts da pagina inicial a palavras, parágrafos ou o que seja de cada narrativa individual.

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Miguel

1. Vendaval Cerebral de nomes de personagens e tentativa descriptiva dos mesmos (lista não redutora)

2. Vendaval Cerebral 2 - Personagens

3. Vendaval Cerebral 3 - Personagens

Elenco:

- Canavial

- Rato

- Outro

- Senhor

- Marisa

- Putrefia

- Velha

- Turrão


Cena 1.

M1.1.1. Sequencia de imagens: Prevê-se. Carros em bicha. Pára arranca. Doses de imagens de asfalto. Poeira. caixotes de lixo abertos. Cães a passar a rua no meio da noite. Imagens de parques de estacionamento de supermercados (LIDL). A entrada num supermercado com todas as promoções. Imagens de espaços sombrios em Lagos, especialmente onde estão revendedores de haxisto-muito-estranho.

M1.1.2. no interior do supermercado, filmado por entre a secção de produtos de limpeza. Ouve-se por altifalante: - Marisa Cardo, venha à caixa. (pós-produção ou pode-se pedir à senhora da caixa com jeitinho e sem irritar ninguém)

M1.1.3. Marisa comparece em regime não definitivo e em espaço não definitivo. segura pacotes de alimentos e passa-os de uma mão para a outra. A cara não se vê, e para mais a luz deve estar por trás dela com vento para termos só silhueta.

M1.1.4. em espaço livre, com ou sem personagem. EWS. Paisagem a escolher.

- A voz de Marisa -  Coisas que eu não vejo. Há delas por todo o lado. Por entre as coisas vejo coisas às vezes e às vezes não quero ver nada. 


M1.1.5. Imagens de grafitis crus. rodeados de corações e i love u's.

M1.1.6. Senhor, representado por um pião, que é lançado repetidamente e repetidamente, com vários graus de sucesso diz:

- A voz do Senhor - Eu tentei sempre. Nunca me deixei ir abaixo. Todos os dias fui ao meu passeio. Para mexer as pernas. E sempre vesti as minhas camisas. E sempre andei devagar. E sempre comi bem. O trabalho, isso... Eu sempre tive um amor. Coisa felina. Mulher filha de estrangeiro de certeza. Porque eu nunca vi nada assim. Cheiro ocre de entre as pernas. Ela gostava de crescer os pelos do sovaco. E no Verão. Aquele cheiro. Eu ía dizer que não?


M1.1.6
M1.1.62A câmara percorre quartos vazios da casa, e segue para fora, para o quintal onde tudo está vazio. Segurando o pião uma mão percorre o espaço e este pião fica cada vez mais de cara triste. Precisamos de três piões.  A voz do Senhor chama:

- Catarina... Catarina...

M1.1.62


M1.1.7

Volta a imagem ao espaço livre. Desta vez o canavial mostra-se ao vento ao longe.

- De dentro do canavial começa-se a filmar também

- Encontra-se um cardo no meio do canavial.

M1.1.8

A cena volta ao mesmo plano de M1.1.4. Marisa revela-se como um cardo. de cardo na mão Mariza começa a caminhar e sai de cena.

- Vóz da Mariza- De todas as coisas que não sou, só sou para os outros aquilo que não quero para mim.


M1.1.9.

Filma-se uma cena de café à distância. Esplanada lànguida de fim de tarde em que há minis e cafés e cigarros e etc. Por cima ouve-se:

- Voz de Turrão - O plano é mesmo  ir aí para os confns de gerador na mão e meter som a noite toda no Tejo. Leva-se chouriço e faz-se um fogo e tá-se muito bem.
- Voz de Canavial - Mas o Rato sempre vem cá este Verão?
- Turrão - Acho que sim. Disse que vinha mas que ainda não sabia quando. Já não o vejo desde que a sardinhada de fim de ano no 7º ano.
- Canavial - Nessa noite foi limpinho. Tiveste com a Márcia atrás dos balneários. Bem jogado! Nem te vi eu!
- Ya, tava lá o Rato também com a putréfia.
- Eia essa gaja! Depois disso foi só histórias que eu já não sei o que é verdade ou não. Uma era que dois pretos lhe tinham aberto o cu e que teve de ir a cozer ao hospital. a outra que ouvi é que andava a usar uma obras abandonadas onde havia um escritório destrancado lá no meio e aí estava dia sim dia não com um gajo das obras. E isto contaram-me os putos do prédio ao lado que viram tudo.
- onde é que essa gaja anda agora... 


M1.2.1.

Ao longe vêem-se as escolas típicas de Portugal. De molde prefabricado que todos conhecemos. Também à noite. Tudo está vazio. Ate´que pelas sombras se vê algo a mover-se.

Alguém corre e ao longe.

M1.2.2

A cãmara assume o ritmo do corredor e avança pela vegetação. O plano dura algum tempo. Chega a um cardo caído no chão.

- foi contigo. sem falar. só puseste cartas no chão. Gravuras de coisas que tinhas encontrado. a maior parte era arte erótica. e eu sei porquê. porque essas coisas não se falam, dizem-se.
-e nesse dia na escola não fizemos nada. foi depois.


M1.2.3

Um pau parte o cardo repetidamente. e avança pela vegetação abrindo caminho (género catana)

M1.2.4

ECU de boca masculina no escuro com fonte de luz incidindo sobre a boca iluminada.

Rato - Fui eu que falei com esses putos do prédio. E fui eu que contei ao pessoal. (espaço)
-Mas ninguém acredita. Pensam que são histórias. E esses putos? Se eu quisesse mesmo provar tudo... Nem pensar. Ninguém os vê. Passei anos a dizer olá de soslaio a tanta gente. Sem lhes saber o nome. E agora são gente.

M1.2.5.

Volta-se ao plano de M1.1.9.

- Voz do Senhor - Boas noites pesoal. Então tá tudo aqui numa boa? Já não os vejo há muita tempo. Vão fazer estragos hoje?
- Pois não sei.


M1.2.6.

Sapatos de beto dão pontapés a um peão pela rua fora. Filmado de frente e só as pernas. Andam vagarosamente. As pontas dos pés apontam ligeiramente para fora. Páram num quiosque e páram novamente para acender um cigarro. Os pés sentam-se num banco de jardim. Daí a mesma cámara faz traveling pelo chão para a direita onde encontram uma figura feminina ao lado de uma àrvore. Mel cai a jorros no chão à sua volta. É Putréfia. Levanta-se e caminha acompanhada pela câmara desta vez atrás de si. Os pés anteriores do Senhor juntam-se à sua caminhada.  O senhor aproxima-se e cada vez que o faz, a putrefia afasta-se.

- Voz do Senhor - Anda lá, Dantes caíam que nem moscas!
- Tá quieto porco!



M1.2.6. Um pote de mel enche-se de moscas de facto, num lancil de uma janela.


-Voz de Putrefia- Fogos que não apaguei. Que não comecei. Eu dizia sempre, até onde o gasóleo der.


M.1.2.7 carro arranca no asfalto em ritmo forte. As imagens tornam-se de um carro a esbaforir por estrada de campo. Luzes no breu. De dentro do carro. Poeira se possível. Ouve-se I hate you dos Monks?


o som baixa. filmado de assento de passageiro. (terás de ser tu Catarina)

Turrao, Rato, e Canavial dividem litrosa.

M1.2.8.

Senhor pega na putrefia e mete-a no carro. pote de mel é partido no chão.

M1.2.9

O outro vai de bicicleta pela ruas e diz olá a toda a gente!

M1.3.0

A Mariza procura o pai pela casa mais um vez. Desiste. Sai para a rua e caminha pelo rio, ou o mar.

M.1.3.1

Cá estamos. Vai aí buscar lenha grossa e faz esse fogo!

O grupo de amigos assa chouriço. Pode ser tarde ou noite.

M1.3.2

Mariza aproxima-se ao longe. Os outros vêem-na. O Canavial vai ter com ela. Hei Mariza! Então! O que é que estás aqui a fazer. Queres-te juntar a nós?

M1.3.3.

Mariza - O meu pai? Viste o meu pai. Ele saiu. Deve andar por aí. Canavial! Tu sabes onde ele anda não sabes! Eu juro que ele vai dormir a casa! Mas eu nunca o vejo! Há anos que não o vejo. Sabes o que é não saber se ele está ou não está!
- canavial - Eu nao sei não o vejo há muito tempo! Ele disse+te alguma coisa?
- Mariza - A mim. ele não fala comigo! Tu sabes onde ele está! Tu és o Canavial! Estás por todo o lado! Tu sabes!
- Canavial - Não sei... às vezes ele passa por mim bêbado!
- Mariza- Mas falas com ele! Perguntas-lhe alguma coisa! Diz-lhe que eu o quero ver!
- Canavial - Já perguntaste às Silvas! As irmãs?


Alguem come mel de um pote desenfreadamente. O mel escorre pela camisa abaixo!

- Senhor! Já viu o que está a fazer!
- Sim sim.


Sai e avança pela vegetação de pau de forcado na mão e boné de campino em cima.

Sim Sim. 


diz. Enquanto come mais mel.

[voz off] O problema da putréfia não é de ser puta. É de não saber nada. O filho que teve esse morreu. e sem saber quem era o pai!

Imagem de nenuco nado morto em caixote do lixo.


[O senhor-só revelado pela camisa] Continua a avançar pela vegetação. Sim sim diz.  Chega ao fogo e ao acampamento onde estão o turrão e o rato que bebem vinho.

Senhor - Viram a Putréfia?
Os outros - Hã tás te a passar... o que é que ela vinha aqui fazer?


Sentados no chao um fuma um charuto de coco barato que foi comprado anteriormente em Almeirim.

Senhor - Passas-me o vinho?
Os outros - Ya manda aí uns golos.
Senhor - A putréfia é a gaja mais porca. nao achas? Tive agora com ela. Puta do caralho. Levei-a no carro. Paramos aí perto. Disse-lhe para me chupar o caralho no carro mas não quis. Fomos aí à beira do rio. E eu tou tão grogue que nem o pus em pé bem. Mas ela chupou até querer. Mas ainda não me vim! Não a viste?
Os outros - Epá não- 


Do lado deles e com as filmagens a preto e branco vê se de facto a  putréfia mulher que acaricia um nenuco lentamente.

Os outros não a vêem...

O senhor continua a falar.  e enquanto o faz acaba com a garrrafa de vinho.

E eu com a tua irmã também não fiz menos. É pequenina mas chupa que nem uma desgraçada. A melhor foi quando lhe pus o meu cão a lamber a cona. 


O turrão salta do chão e esmurra-o. O senhor acaba KO.  Os outros deixam-no.

A putrefia pega-lhe pela camisa e arrasta-o para perto do fogo. Aí reparte o nenuco em membros e põe o nenuco em partes dentro da camisa do Senhor. Depois disso começa lentamente a massajar o seu membro.

Os outros partem à procura do Canavial nos arredores do fogo.

clamam Canavial! ao longe

A imagem passa para um nenuco na fogueira que lentamente se derrete. de dentro do mesmo revela-se o pote de mel com pião e corda lá dentro. Estes por sua vez também se consomem.

Os planos passam para registos de cardos e canaviais ao vento e torrões de terra. as câmaras proseguem rés ao chão.

FIM PROVISÓRIO





A partir daqui detalho sinopse a desenvolver depois para minha e vossa referência:

Cena no Tejo a acontecer em regime normal de cariz lúdico contrachoca com algo violento. Uma destas personagens vai explodir. Qual não sei ainda.

O filme fala de coisas quase passadas no passado e revela algo que todos querem esconder dessa noite. Muito por causa de possívelmente estarem encarcerados agora. Não pela policia mas por si proprios. Todos em conjunto. Como o tempo pós-revelante da não concretização concretizada em concreto como algo que realmente é assim e mai nada! Se alguém quiser continuar daqui está à vontade















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